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Analistas: erro contábil de Magalu é ‘ruído’ e não se compara a Americanas

Varejista apontou incorreções em balanço referente ao 3º trimestre; caso repercutiu nesta terça (14).

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A notícia de que a varejista Magazine Luiza identificou “incorreções” em sua contabilidade surpreendeu o mercado na noite de segunda-feira (13) e, junto da repercussão do balanço considerado fraco no 3º trimestre por parte do mercado, puxou um movimento de queda da ação MGLU3 nesta terça-feira (14). No entanto, analistas apontam o caso como “ruído” e, apesar das comparações, explicam que não é dramático como o escândalo de Americanas, no começo do ano.

Magalu
Logo da varejista em centro de distribuição em Louveira REUTERS/Paulo Whitaker

Segundo o comunicado da empresa feito na véspera, foram identificadas incorreções em lançamentos contábeis de bonificações a fornecedores, o que levou a reapresentação de demonstrações financeiras da companhia. 

Além disso, a empresa informou que teve lucro líquido de R$ 331 milhões no 3º trimestre, revertendo prejuízo de R$ 190 milhões no mesmo período do ano anterior, em resultado impulsionado pelo reconhecimento de créditos tributários. Sem considerar esse efeito, a empresa teve prejuízo líquido de R$ 143,4 milhões, uma melhora de 15% sobre um ano antes.

Investigações no Magazine Luiza

Segundo a empresa, após denúncia anônima, foram feitas apurações internas, junto a TozziniFreire Advogados e à PwC, em março deste ano. A varejista afirmou que as incorreções vêm das chamadas notas de débito – documento utilizado para o reconhecimento contábil das receitas de bonificações a fornecedores.

Como consequência, a empresa teve que fazer a correção dos lançamentos contábeis correspondentes. Na ponta do lápis, o resultado foi uma redução acumulada no patrimônio líquido de R$ 829 milhões sobre o valor do fim de junho deste ano, líquido de impostos e sem impacto no fluxo de caixa.

Caminhão do Magazine Luiza.
Caminhão do Magazine Luiza no centro logístico da empresa em Louveira 24/04/2018 REUTERS/Paulo Whitaker

Mas, com o reconhecimento de R$ 688 milhões em créditos tributários que acabaram inclusive puxando o lucro no trimestre, o impacto das incorreções no patrimônio líquido acabou sendo de R$ 322 milhões.

Houve ainda efeitos sobre os números de balanços anteriores. Com dados não auditados, Magazine Luiza corrigiu o prejuízo líquido do terceiro trimestre de 2022, por exemplo, para R$ 190 milhões, contra R$ 166 milhões de reais apresentado anteriormente.

Magalu x Americanas

A notícia repercutiu negativamente entre os acionistas da empresa. O Instituto Empresa, que representa os minoritários, já requereu a suspensão imediata da companhia do Novo Mercado na B3 e dos índices que integra. “Aquisições de ações e debêntures foram realizadas com base em números falsos”, acusa Eduardo Silva, presidente do Instituto Empresa. 

O caso gerou comparações com o episódio em que a Americanas reportou “inconsistências contábeis” inicialmente no valor de R$ 20 bilhões, dando origem a uma onda de incertezas que culminou com a recuperação judicial da empresa e o risco de crise de crédito no mercado. Mas especialistas explicam que o caso de Magazine Luiza é diferente. 

Loja da Americanas em São Paulo, em setembro de 2023 (Foto: Karina Trevizan/tabuleiro de jogos)
Loja da Americanas em São Paulo, em setembro de 2023 (Foto: Karina Trevizan/tabuleiro de jogos)

“Na Americanas, foi uma questão mais financeira, no sentido de enganar os investidores com relação ao financiamento e endividamento da companhia. Magalu foi algo mais relacionado a enganar os investidores com relação ao tamanho do lucro/prejuízo”, compara o economista Felipe Pontes, da L4 Capital, que aponta ainda que a situação não é tão dramática quanto o caso da concorrente meses atrás. 

“Com relação a essa questão dos problemas contábeis, se for apenas isso, não é nada muito preocupante. Porque o efeito no caixa já passou. A auditoria ainda está trabalhando para checar se houve mais alguma repercussão ainda não identificada.”

Felipe Pontes, da L4 Capital.

Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, chama a atenção para a magnitude dos dois incidentes, com o caso de Magazine Luiza na casa dos R$ 800 milhões enquanto o rombo de Americanas se revelou superior a R$ 40 bilhões. 

“A diferença se dá pelo fato do caso de Magalu se tratar de uma falha contábil em que a empresa cometeu erros nos seus lançamentos contábeis referentes à bonificação em determinadas transações comerciais, enquanto o caso das Americanas se trata de uma fraude na qual, de forma deliberada, a companhia tentou enganar bancos, fornecedores e investidores”

Jonas Carvalho, CEO da Hike Capital.

Carvalho também afirma que o caso de Magalu “não é tão problemático, pois se trata de um problema pontual que já foi corrigido”. Na mesma linha, João Lucas Tonello, analista de Investimentos da Benndorf Research, reforça que “Americanas afirma em fato relevante divulgado nessa semana que foi vítima de uma ‘fraude sofisticada’. Já Magazine Luiza teve um erro de natureza bem mais leve não constituindo um crime.”

  • Confira a as ações da Via Varejo (VIIA3)

Dúvidas sobre os números

De qualquer forma, o caso gerou incertezas sobre os números da companhia. “Com base nos ajustes reportados, estimamos que o Ebitda acumulado de 2020-2022 foi, na realidade, cerca de 25% inferior”, disseram os especialistas do Santander em relatório, em referência ao lucro antes de impostos. 

Já os especialistas do BTG apontam em relatório que o fato deve gerar “ruído” para a empresa, “com investidores questionando os controles e o aumento da linha de fornecedores no balanço em decorrência dos ajustes”. 

Setor patina, mas Magalu sofre menos

Após um longo período com juros altos, o cenário para o varejo o Brasil tem respondido de maneira típica: o consumo de bens não duráveis, como itens de supermercado, sustenta o crescimento do setor, enquanto bens duráveis seguem com demanda enfraquecida. 

Foi assim que, em setembro, as vendas varejistas no Brasil registraram alta de 0,6%, num resultado puxado pelo crescimento de 1,6% nas vendas de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Consumidor em loja da Casas Bahia em São Paulo (REUTERS/Nacho Doce)
Consumidor em loja da Casas Bahia em São Paulo (REUTERS/Nacho Doce)

A expectativa é de que a queda da Selic, em algum momento, comece a surtir efeitos positivos sobre as varejistas como Magazine Luiza, Casas Bahia e até Americanas. Mas, além de fatores comuns a todas, considerando as características de cada empresa, a avaliação é melhor para Magazine Luiza. 

Considerando, por exemplo, as receitas das empresas, nos últimos meses Casas Bahia tiveram queda de 5,4% no terceiro trimestre, contra um recuo de 1,5% da concorrente. 

“A situação de Magalu é muito mais confortável porque ela, apesar de tudo, tem um bom caixa e boa liquidez e não tem o problema da Casas Bahia que está passando por mais um turn-around, inclusive envolvendo questões de marca“, diz Pontes, da L4. 

Tonello, da Benndorf, diz que, entre as três empresas, Magazine Luiza, “apesar da margem bem curta, apresentou bom volume bruto de vendas comparado com as outras. Conclui-se que é uma empresa mais atuante para vendas”.

Especialistas também têm chamado a atenção para o endividamento de Casas Bahia. Para Carvalho, da Hike, os problemas de Casas Bahia e Americanas, apesar de serem diferentes, “ainda vão precisar de anos para serem resolvidos”.

Os dados de Americanas dos últimos trimestres não estão disponíveis para comparação. A empresa adiou novamente a divulgação de seus números, conforme comunicado divulgado ao mercado nesta segunda-feira (13). 

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