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‘Semideuses’ bilionários do 3G são acusados de fraude pelo BTG

O banco BTG Pactual está acusando os três bilionários do fundo de investimentos 3G de envolvimento na “maior fraude do mercado de capitais do Brasil”.

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Tempo médio de leitura: 6 minutos

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Foto de Jorge Paulo Lemann em meio a uma entrevista
Jorge Paulo Lemann. Crédito: Bloomberg

Em entrevista na sede do BTG Pactual(BPAC11), em 2012, André Esteves falou com carinho do também bilionárioJorge Paulo Lemann. Esteves, um dos rostos mais conhecidos nos círculos financeiros do Brasil, chamou Lemann de mentor, creditando o empresário por trazer meritocracia ao setor bancário do país.

Uma década depois, o BTG de Esteves está acusando o homem mais rico do Brasil e seus parceiros de negócios de longa data no fundo de investimentos 3G, Marcel TelleseCarlos Alberto Sicupira, de envolvimento na “maior fraude do mercado de capitais do Brasil”.

A linguagem aparece em um documento enviado à Justiça pelo banco depois que a Americanas, varejista que tem o trio como acionista há mais de 40 anos, revelou ter encontrado R$ 20 bilhões em “inconsistências” contábeis. O anúncio dobrou o passivo da empresa de uma só vez, provocando um tombo no valor de suas ações que eliminou 85% de seu valor de mercado em três dias de negociação.

O caso é a “é a triste epítome de um país,” disse o BTG no processo, ao qual a Bloomberg teve acesso. “Os três homens mais ricos do Brasil”, com patrimônio de R$ 180 bilhões, “ungidos como uma espécie de semideuses do capitalismo mundial ‘do bem’, são pegos com a mão no caixa daquela que, desde 1982, é uma das principais companhias do trio.”

Lemann, Sicupira e Telles não responderam às mensagens pedindo comentários sobre o processo. O BTG não quis fazer comentários além do documento.

Jorge Paulo Lemann.
Jorge Paulo Lemann. Crédito: Bloomberg

‘Inconsistências’

Embora a empresa tenha dito que ainda está avaliando o tamanho do dano, o que disse aos investidores até agora indica que teria contabilizado erroneamente o financiamento de dívidas com fornecedores, ao mesmo tempo em que deduziu indevidamente desses passivos os juros pagos aos bancos. A prática teria dois efeitos: aumentar artificialmente os lucros devido à não contabilização de despesas financeiras e reduzir o passivo.

O problema remonta a anos, disse o ex-presidente, Sergio Rial, a investidores em pânico na quinta-feira. O ex-presidente da unidade Brasil do Santander permaneceu no cargo na Americanas por menos de duas semanas, anunciando sua saída junto com a descoberta das “inconsistências”.

Na sexta-feira, a Americanas obteve proteção contra credores na Justiça do Rio de Janeiro. Os ajustes na contabilidade podem colocar a empresa em violação de cláusulas que podem levar ao vencimento antecipado da dívida de quase R$ 40 bilhões, diz a decisão do tribunal. A Americanas também disse que alguns credores se moveram para tomar ativos, incluindo mais de R$ 1,2 bilhão pelo BTG.

A decisão da Justiça, que também proíbe o congelamento ou confisco de ativos, ajuda a preparar a Americanas para um pedido de recuperação judicial, que as empresas de classificação de risco de crédito consideram provável, a menos que a varejista feche um acordo com os credores.

“O objetivo é viabilizar a proteção adequada do Grupo Americanas enquanto busca, junto aos seus credores, uma alternativa viável à luz do cronograma de vencimento de suas dívidas financeiras,” disse João Guerra, novo presidente da empresa, em comunicado divulgado na noite de sexta-feira.

O pedido de proteção pegou os banqueiros de surpresa e levou o BTG a ir à Justiça. O banco entrou com pedido de reversão da decisão no fim de semana, mas o juiz não votou argumentando que não havia necessidade de urgência. O BTG entrou com outra moção na segunda-feira, buscando uma arbitragem em um tribunal de São Paulo, dizendo que havia cobrado os R$ 1,2 bilhão devidos antes da decisão de proteção de sexta-feira. O Bank of America e o Banco Votorantim também recorreram, segundo o jornal “O Globo.”

Fraude

No processo no fim de semana, o BTG disse que a empresa tentou sacar cerca de R$ 800 milhões em investimentos que tinha no banco antes de anunciar as “inconsistências” ao mercado. O banco argumentou que a Americanas não deveria receber proteção contra credores, porque fraude deveria ser tratada como crime.

O BTG também cita o escândalo de 2019 na Kraft Heinz, dizendo que foi mais um caso de “fraude contábil” em uma empresa envolvendo o trio 3G. Naquela época, a empresa foi forçada a ajustar seu balanço patrimonial em US$ 15,4 bilhões. A Securities and Exchange Commission, xerife do mercado de ações nos EUA, disse que o ex-diretor de operações da Kraft, Eduardo Pelleissone, e seu ex-diretor de compras, Klaus Hofmann, tiveram má conduta relacionada ao caso. A empresa concordou em pagar uma multa de US$ 62 milhões para encerrar a investigação.

Trio bilionário

Fundada em 1929, a Americanas(AMER3) é uma das mais antigas e emblemáticas varejistas do Brasil. Seu debacle pode afetar a maior economia da América Latina: a empresa tem cerca de 3.600 lojas em mais de 900 cidades, mais de 5.000 fornecedores e 40.000 funcionários.

A reputação dos três bilionários do 3G, que possuem cerca de 31% do negócio, também pode sofrer. O trio manteve o controle da Americanas por décadas até uma reestruturação em 2021, na qual tiveram sua fatia diluída. Sicupira e o filho de Lemann, Paulo Alberto, estão no conselho da Americanas, representando os acionistas. O presidente do conselho da empresa, Eduardo Saggioro Garcia, é sócio e presidente da LTS Investments, o family office de Lemann, Sicupira e Telles.

O trio disse ao conselho que planeja continuar apoiando a Americanas, de acordo com um documento da empresa. E ofereceu uma injeção de capital de R$ 6 bilhões aos credores em negociações na sexta-feira, valor considerado muito baixo, segundo pessoas a par do assunto. Os credores pediram mais de R$ 10 bilhões, disseram as pessoas, acrescentando que as negociações podem ser retomadas esta semana.

Na segunda-feira (17), a Americanas contratou o Rothschild como seu assessor na renegociação da dívida.

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